Capitulo 1

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Mensagem  Roen em Sab Dez 28, 2013 4:38 pm

...A luz do sol entrava pela as janelas, assim como a brisa que aliviava o calor que fazia naquela sala. A tranquilidade do local contrasteava com o barulho lá fora. Pessoas gritavam ofertas, outras apenas falavam muitos alto, negociando com os comerciantes.O barulho de uma pena que riscava um papel tomava conta daquela sala.

...E atrás de uma mesa um gordo Alquimista escrevia algo, seus cabelos negros já começavam a branquear assim como seu farto bigode que se encontrava abaixo de um volumoso nariz.

...Ao lado de sua mão havia uma pequena pedra amarela a qual ele olhava de tempos em tempos e em seguida fazia uma pequena anotação nos papeis em que escrevia.

...Ele então se levantou e se espreguiçou estava cansado daquele trabalho, seguiu então para uma prateleira onde pegou um livro e se sentou em um dos sofás do lugar. No mesmo momento em que se sentou alguem bateu a sua porta. “Quem será?”. Pensou ele um pouco irritado.

...-Já vai! - Dizia ele enquanto alguem continuava a bater na porta.

...Ao atender ele se surpreendeu com a figura que estava a sua frente. Um rapaz loiro o encarava com um enorme sorriso no rosto.

...-Voltei Metz. - Exclamou o Loiro.

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[size=150]A mão Esquerda de Hela[/size]
Capitulo I - O Encontro.
“O ser humano é um cadarver adiado”
Fernando Pessoa
Musica do Capitulo - San Sebastian - Sonata Arctica
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Escrito por: Bruno Cesar "Roen" A.F.F. Mendes


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...O Loiro e o Alquimista se encararam por um momento até que Metz resolveu falar algo.

...-Não esperava que você voltasse hoje. Demorou um pouco desta vez. Vamos entre Samuel. - Disse Metz enquanto abria caminho para que o Lorde adentra-se a sua casa. - O que trouxe desta vez? Aquele seu quarto já esta cheio de coisas.

...O Lorde caminhou tranquilamente pela a casa e se sentou em um sofá ao lado de uma pequena mesa, trazia nas costas um saco que parecia pesado com todas as coisas que tinha dentro. Tranquilamente o abriu.

...-Bem... Eu finalmente terminei de fazer o Elmo do Orc Heroi. - Disse tirando uma espécie de elmo dourado de dentro do saco e colocando em cima da mesa. - Ai aproveitei que estava em Geffen e passei na Torre. Aquele “morcego” não me deu nada de bom, mas aquele projeto de espadachim me deu esta espada.

...Tirou então uma grande espada de dentro da sacola e a colocou de lado na mesa, o Alquimista apenas observava tranquilamente enquanto Samuel contava o seu relato.

...-Ai aproveitei e fui para Morroc, o Freoni me deu outra “Adaga da Boa Ventura”. E o “casal Maya” me agraciou com mais uma carta Maya Macho, a terceira já. Você podia vender esta para mim. Continuando, eu segui para Payon onde eu dei um sarrafo naquele felino de lá e coloquei aquela garotinha do sino no cantinho da disciplina, e ambos me deram uma “Lingua de Fogo” e esta adaga aqui de nome impronunciavel que ajuda na restauração de mana.-O Lorde então fez uma pausa e continuou - Não satisfeito, parti para Alberta e as espadas do Drake eu trouxe junto de mais uma Carta General Tartaruga que vai para leilão de lá parti para Izlude e aproveitei para passar no Labirinto da Floresta e pegar os “córneos” daquele bode, assim como sua foice.

...Metz ficou olhando para todos os tesouros em cima da mesa, a maioria dos aventureiros gostaria de poder fazer em um mês um quarto do que havia em cima daquela mesa, entretanto Samuel havia juntado aquilo em apenas dois dias. O Alquimista já não se impressionava quando o seu amigo voltava e trazia tantas coisas, afinal ele era conhecido como o maior caçador de MvPs, os Monstros Verdadeiramente Poderosos, do mundo. Ergueu os olhos e viu o amigo sorrindo para ele, por um momento viu o garoto que ele havia ajudado a criar. Suspirou fundo afastando estas lembranças.

...-E agora o que você esta pensando em fazer? - Indagou o Alquimista em tom cansado.

...-Me falaram que em Hugel existe uma ilha onde há um monstro que nunca foi derrotado... eu estava pensando em ir para lá e ver o que ele tem de bom para me dar. - Disse em tom casual enquanto recolhia os tesouros em cima da mesa e os colocava de volta na sacola.

...-Você tem que descansar um pouco, acho que você deveria passar uns dias aqui.

...-Nada. Não ia aguentar ficar aqui resolvendo os problemas burocráticos do clã... Isto eu prefiro deixar para você. -Disse enquanto se levantava e seguia para uma porta no canto da sala.

...-Falando no clã, alguns membros estão confusos sobre o que devem fazer atualmente. - Metz seguiu o amigo que entrou em no quarto.

...A pele de um grande Eddga estava estendida como tapete no chão do quarto. Nas paredes espadas, machados e lanças estavam expostas assim como escudos. Uma grande cabeça de lobo com dentes feitos de cristal podia ser vista. Um livro permanecia aberto em cima da mesa onde várias cartas de diversos monstros estavam a mostra. Atrás da mesa havia uma confortavel cadeira e logo acima dela em uma moldura havia uma carta de um cavaleiro de cabelos azuis e uma armadura de ossos.

...-Como assim? Eles não sabem o que fazer? - Indagou o Lorde em tom sarcástico. - Eles vão atrás de monstros que estão causando problemas os caçam e vendem o seu tesouro. Eu criei este clã para eles se juntarem e fazerem isto.

...-Ai que mora o problema. Como eles vão caçar MvPs se você os mata antes que eles cheguem?

...-Eu não estou caçando agora. Então eles podem caçar. Independente de quantas vezes eu mate o Orc Heroi outro é treinado, um Bafomé Jr. começa a se desenvolver assim que o Bafomé morre, o espirito de Drake sempre vai assombrar aquele navio. A Flor do Luar a cada Lua Cheia retorna, assim como Eddga e Haiti são imortais. Sem falar daquele Thanatos que é só você juntar os amuletos em sua torre, Plin, olha ele ai! - Disse apontando para a carta acima da cadeira.

...-Vocês não são o unico clã especializado em caça de MvPs. Fora os aventureiros independentes que caçam os mesmos.

...Samuel pareceu pensar por um momento, olhou para Metz e então olhou para a sala. Olhou para as Mascaras que ele havia pego do Amon-Rá, para as peças os pedaços do escudo do Senhor dos Mortos, para as Espadas que pegou do Drake e do Doppelganger, para a sua Armadura Metálica com Tao Gunka e olhou novamente para Metz e respirou fundo.

...-Acho que em parte você tem razão.

...-Ótimo. Ah! E já estava esquecendo.- Falou o gordo Alquimista pegando uma caixa em uma prateleira- Chegou hoje. A compra foi um sucesso, comprei de um lider desses clãs de Guerra do Empérium, sabia que você queria um par desses e com a venda da ultima Carta Maya Macho tinhamos dinheiro sobrando.

...-O que é? - Disse o Lorde enquanto abria a caixa se surpreendendo com um par de sapatos azuis, com pequenas asas. - Finalmente! Sleipenir, com elas vou finalmente vou ter um sapato que combina com aqueles dois cintos que compramos antes. Obrigado Metz. Ah e como vai aquela sua pesquisa?

...-Vai mal... Resolvi separar os pedaços do cristal que encontramos outro dia com alguns amigos meus, quem sabe algum dia a gente consegue ver o que esta escrito naquela pedra e assim desvendar este mistério.

...-Triste. - Falou Samuel com tom indiferente enquanto pegava algumas poções em uma caixa. - Bem, já estou de partida.

...-Como assim? Você não disse que ia deixar alguns monstros para os outros do clã?

...-Não. Eu disse que você tinha a razão. Estou indo para Hugel lutar contra este tal monstro que nunca foi derrotado.

...-Você não tem jeito! - Exclamou Metz.

...-E você quer que eu faça o que? Se o monstro nunca foi derrotado é uma boa oportunidade para se tirar a insensibilidade dele não é? Afinal eu não sou o maior caçador de MvPs do mundo?

...-Tudo bem... então só este monstro e você da uma sossegada para esfriar os animos do clã. Ok?

...-Sem problema, vou lá. Pego um “drop” que nunca foi “dropado” volto fico uma semana ou duas sem me divertir, talvez jogando BixoMon Vermelho no meu Garoto dos Jogos e todos serão felizes para sempre, o ouro irá aparecer como orvalho na grama, a prata crescerá de arvores, nós nunca iremos envelhecer e o amor triunfará no final.

...-Já te falaram que você esta precisando de uma namorada?

...- Talvez, mas acho que não tenho tempo para isto.

...-Porque você neste tempo em que vai ficar parado não procura uma? Você ainda é jovem deveria aproveitar enquanto pode.

...-É talvez... até que não é uma má idéia. Então corte a parte de ficar jogando BixoMon o meu Nidhogg não vai pegar o nivel noventa e nove nesta semana. Voltando talvez eu procure alguem para ficar um tempo e não ter tardes tão monótonas, mas agora eu quero ir ver este monstro invencível.

...O rapaz calçou as suas novas botas e saiu tranquilamente em passos largos, enquanto o Alquimista o observava. Por um momento teve o pressentimento que talvez nunca mais iria ver Samuel novamente.

...Saiu do quarto e voltou a fazer o que estava fazendo antes da chegada do rapaz.


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...O sol tranquilo do fim da tarde tornava os céus vermelhos. Várias pessoas caminhavam de volta a suas casas e a brisa fria de que a noite logo viria fazia com que muitos se encolhessem por causa do frio que faz os pelos do pescoço se eriçarem.

...Vindo no horizonte um grande Aeroplano, cruzava os céus da cidade pousando no pequeno porto da cidade. Várias pessoas desciam, uma a uma seguindo o seu próprio rumo na cidade.

...Samuel caminhava tranquilamente, apesar de ter tido um dia cheio pela a manhã ainda estava disposto a unica coisa que passava em sua mente era a de enfrentar um novo monstro o qual ele nunca viu e nunca foi derrotado.

...Já havia lutado diversas vezes com os mais diversos oponentes, tinha crescido como um Espadachim pobre que lutava com pequenos monstros para tentar sobreviver. Quando se tornou Cavaleiro seus feitos foram se tornando maiores, e muitos vinham até ele em busca de ajuda. Seu nome ficou conhecido muito rápido devido ao seu poder, e junto com a fama veio a riqueza, suas aventuras sempre o levavam a grandes tesouros, muitos duvidavam de sua sorte e o acusavam de abusar de métodos ilegais para obter o que tinha. Mesmo com estas desavenças ele sempre parecia se manter justo e uma pessoa de confiança. Não demorou muito para se tornar um Lorde e seu nome começar a ser comentado entre a corte. O próprio Rei Tristan III o havia prestado homenagem diversas vezes.

...Seu poder parecia não ter limites e até mesmo artefatos que pareciam pertencer aos deuses eram utilizados por ele, tudo fruto de suas caças aos Monstros Verdadeiramente Poderosos. Sua fome por cada vez mais poder era algo que parecia não fazer sentido e sempre procurava por desafios cada vez maiores era constante.

...O Loiro continuou sua caminhada até chegar a um pequeno cais onde um senhor amarrava um pequeno barco de madeira, o homem tinha uma expeça barba já grisalha assim como seus cabelos, dentro da embarcação uma rede cheia de peixes podia ser vista. Olhando para o homem Samuel se lembrou que o monstro deveria estar em alguma ilha próxima, sem pestanejar se dirigiu ao homem que calmamente executava seu trabalho.

...-Olá, eu sou um...

...-Aventureiro que deseja ir até a ilha próxima a cidade. - Cortou o homem sem olhar para o Lorde.

...-Hã?! Como o senh...

...-Outros aventureiros me pediram para leva-los até a ilha e nenhum deles voltou até hoje. Me desculpe mas não posso te levar até lá hoje.

...O rapaz olhou para o senhor que agora pegava a rede com os peixes e a jogava nas costas. Levou a mão até uma pequena bolsa que trazia na cintura e a colocou em cima do barco.

...-Eu te dou um milhão de zennys se me levar até lá.

...O homem olhou para a bolsa e franziu a testa. Encarou o rapaz, soltou um suspiro e disse.

...-Eu até te levaria lá agora, mas olhe - apontou para o céu, várias nuvens se formavam no horizonte - vai cair um temporal hoje a noite. O mar vai estar agitado de mais para irmos nesta embarcação, se você quiser posso te levar amanhã de manhã as sete em ponto se tudo der certo. Então o que você me diz garoto?

...Samuel coçou a cabeça. Realmente o senhor estava certo, e se realmente este monstro fosse invencível ele não sairia de lá tão cedo. Passar a noite naquela cidade talvez não fosse tão ruim.

...-Tudo bem. Então amanhã de manhã.

...-Então temos um acordo. - Disse o homem pegando a sacola com o dinheiro em cima do barco.

...-Ei! Achei que não iria querer o dinheiro! - Exclamou o loiro.

...-Eu não sou só precavido, como não sou bobo garoto. Amanhã sete hora aqui. - Tranquilamente o homem seguiu seu caminho em direção a sua casa.

...O rapaz olhou então para o horizonte e pode enxergar uma pequena ilha a no horizonte onde o sol se punha. Por um momento pareceu sorrir enquanto a água que espirrava das pequenas ondas que batiam no cais salpicavam em suas botas. Talvez por um momento tivesse pensado que sua vida não seria mais como antes.



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...Muitas pessoas falavam alto. Um bardo dedilhava uma canção em um velho alaúde, enquanto uma moça com longos cabelos ruivos trançados servia bebidas a várias pessoas. Um homem gordo atrás de um balcão enchia várias canecas com as mais variadas bebidas para os clientes mais afoitos.

...Em um canto Samuel dava pequenos goles em um copo com hidromel. Interessante como o licor de algo tão doce poderia causar um pouco de tontura. Pensou o rapaz. Realmente como o velho havia dito, uma tempestade caia lá fora. Dentro da taverna muitas pessoas estavam cantando alto, enquanto se embebedavam. Alguns homens em um canto jogavam dados enquanto um grupo de jovens tentavam oferecer uma bebida a algumas garotas.

...Com um sorriso, a moça que entregava os pedidos pousou sobre a mesa um prato. Samuel olhou para ela e a agradeceu recebendo uma piscadela da mesma. O rapaz não pareceu se importar tanto naquele momento e deu mais atenção a comida que estava a sua frente.

...Tranquilamente desfrutava da refeição, e talvez pelo o efeito do álcool não percebeu que um homem se aproximava de sua mesa. Sentou logo a frente do rapaz e apoiou um braço em cima. Samuel o olhou por um momento, seu nariz parecia um gancho retorcido, seus cabelos negros lhe caiam pela a fronte tornando seu rosto magro mais cadavérico do que parecia. Em sua boca faltava alguns dentes onde um deles era de ouro, a barba rala a qual parecia não ser feita a alguns dias estava por todo o rosto, estava trajado com uma capa suja e rasgada o que fazia o homem lembrar um mendigo muito sujo, mas o que chamou a atenção do jovem foram os olhos, sagazes que pareciam penetrar na alma.

...-Acho que não estou dando esmola. - Disse o Rapaz enquanto comia tranquilamente.

...-Não vim aqui neste intuito meu jovem. - Falou o homem, sua língua parecia afiada e seu tom de voz era macio apesar de se notar um tom de ironia, e malícia.

...-Também não me interesso por homens. Ainda mais sujos e maltrapilhos.

...-Vim te alertar dos perigos daquela ilha a qual você pretende ir rapaz.-Samuel desviou por um momento o olhar do prato e encarou o homem e novamente voltou a comer tranquilamente. - Muitos aventureiros foram lá, e poucos voltaram.

...-Já ouvi esta história, isto não me interessa. Eu quero ver este tal monstro invencível.

...-Ah! Temos alguem corajoso por aqui! - Zombou o homem - O que muitos dizem é que a ultima coisa que se vê antes da morte são as asas deste monstro...

...-Não me interessa já disse. - Cortou Samuel.

...-Bem... posso te ajudar a encontra-lo caso assim deseje. - Novamente o rapaz desviou os olhos da comida, mas dessa vez manteve-os fixo no homem. - Vejo que acabo de chamar sua atenção.

...-E como um mendigo imundo como você pode ajudar a alguem como eu?

...-Por favor, me chame de Maquiavel.

...-Então “Maquiavel”, como você pode me ajudar?

...Debaixo da capa, o homem retirou um objeto plano, com uma borda de ouro. O objeto parecia refletir tudo a sua volta, Samuel o observou e depois encarou o homem.

...-Em que um espelho pode me ajudar? - Zombou o Rapaz.

...-Este não é um espelho qualquer, com ele você poderá encontrar qualquer Monstro Verdadeiramente Poderoso é apenas olhar no fundo do espelho e ele o mostrará onde esta.

...-E porque você esta me oferecendo isto? O que quer em troca?

...-O que?! Não, não desejo nada em troca. Eu acho que simplesmente um jovem como você merece uma oportunidade dessas... me diga, você acredita em destino?

...-Não. - Respondeu o rapaz em tom ríspido - Mas muito obrigado, “Maquiavel”. Não irei me esquecer de você caso eu volte. - Disse pegando o espelho e se levantando. - Agora você me da licença preciso descansar.

...Enquanto o Lorde caminhava por entre as pessoas, o homem o seguia com os olhos. Um sorriso sinico tomava conta de seu rosto.


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...O sol estava alto no céu que estava limpo e sem nuvens. As ondas batiam contra o casco do pequeno barco enquanto o mesmo atracava no pequeno cais.

...-Então é aqui? - Perguntou o Loiro.

...-Sim é aqui. Bem, então é isto. Desejo boa sorte para você e que consiga o que veio procurar então até mais. - Disse o velho homem enquanto virava o barco na água.

...-Como?! O senhor não vai me esperar? - Indagou o Lorde com uma certa indignação na voz.

...-Eu venho aqui de tarde assim que o sol se por. Se você estiver vivo eu te levo. Até Mais! - Berrou o homem já a alguma distancia.

...Samuel suspirou e seguiu pelo o local. A vegetação crescia por toda a parte, e constrateava com as construções que haviam naquele local. O homem havia o dito que aquele local antigamente era um templo dedicado a Odin, mas parece que um grande mal havia se abatido sobre o mesmo e criaturas malignas o invadiram e tornando aquele lugar seu lar. As mesmas criaturas eram facilmente abatidas pelo o Lorde enquanto ele caminhava pelo o local, o tempo passou e o mesmo já perdia as esperanças se realmente havia algum grande monstro no local que era invencível.

...Foi então que se lembrou do espelho que o homem na noite anterior havia lhe dado. Havia o trago, mesmo não levando muita fé no que o homem lhe dissera. Tirou então ele da sacola onde trazia alguns suprimentos e olhou em seu interior. E viu sua própria imagem, realmente era um espelho comum. Pensou Samuel. Mas algo na imagem começou a mudar, sua própria imagem havia desaparecido como se tornasse fumaça e um local começava a se materializar dentro do espelho fazendo o rapaz se surpreender. E ficou mais surpreso ainda quando olhou para cima do morro em que subia e notar que o local era logo a frente.

...A passos largos avançou ignorando completamente os monstros que apareciam em seu caminho. Seu coração batia forte, e suas mãos suavam. Finalmente encontraria o tal monstro invencível. Quando chegou no topo do morro finalmente o viu.

...Suas asas batiam fazendo que ficasse alguns centímetros acima do chão, seus grandes olhos verdes encaravam ao rapaz e seus cabelos dourados que caiam em cachos refletiam a luz do sol e uma unica palavra tomava conta da cabeça do Lorde: Linda.

Roen
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Mensagem  Roen em Sab Dez 28, 2013 4:39 pm

...Uma fina camada de neblina pairava sobre os campos enquanto o sol saia timidamente por trás das montanhas iluminando aos poucos o mundo.Seus raios refletiam fracos contra os fios de cabelo dourado do rapaz que admirava a visão das montanhas,apoiado ao parapeito do alto de uma sacada.

...Pássaros pousavam no parapeito e soltam piados finos como se estivessem pedindo um pedaço da torrada que o rapaz comia tranquilamente.O ar fresco das montanhas entravam por suas narinas e inflavam seus pulmões lentamente,enquanto uma suave brisa da manhã se desfazia contra seu peitoral nu e cheio de cicatrizes.Seu olhar frio se mantinha distante por entre os morros do monte Mjolnir e acabava pousando no horizonte.

...Alguns animais saiam de suas tocas preparados para a exaustiva tarefa da sobrevivência.Um brisa mais fria fez o loiro arrepiar,por um momento piscou os olhos e suspirou deixando o ar sair lentamente.Desmanchou alguns pedaços do pão e espalhou sobre o parapeito os quais os pássaros avançaram vorazmente.

...Se virando o loiro andou tranquilamente por entre a sacada e adentrou na casa que era feita de toras robustas,o cômodo ao qual entrara era finalmente mobiliado com moveis produzidos com madeira nobre e no chão podia ser visto um tapete feito com a pele de algum animal,e algumas armas podiam ser vistas nas paredes.

...Caminhou tranquilamente em meio a escuridão do quarto e percebeu que sobre a cama um vulto se mexia preguiçosamente,sorrindo,caminhou tranquilamente até ele e se pôs ao lado da cama ajoelhando.

...Olhou então para a fase da mulher e afastou algumas mechas de seus cabelos.Sem abrir os olhos ela murmurou alguma coisa e ele deu um beijo em sua face.E sussurrou em seu ouvido:Meu Tesouro!

...Saindo do aposento logo em seguida.Talvez esta cena fosse muito comum,caso a mulher não tivesse asas.


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Capitulo II-O Senhor de Asgard
“Todo homem é poeta quando está apaixonado.” Platão

Musica do Capitulo: King of Asgard - Einharjar

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Escrito Por:Bruno Cesar “Roen" A.F.F.Mendes


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...Aquele era um salão diferente de outro qualquer não só por seu tamanho,mas também de como era adornado.Pedras de todos os tipos e cores que já foram identificadas e algumas que os seres humanos talvez nunca colocariam seus olhos enfeitavam as paredes e o chão do local.A luz que entrava pelas enormes janelas refletia em alguns cristais e se espalhavam pelo o salão.

...O teto do local era dificilmente enxergado de tão longe ia e as grossas colunas que o sustentavam eram tão espetaculares quanto o restante do local.O clima ameno tomava conta do lugar.

...Havia várias pessoas reunidas naquele salão,mas dizer “pessoas” talvez seja ousadia deste escritor,ou talvez estivesse subjugando os seres que habitavam aquele local.Todos se reuniam sentados em volta de uma grande mesa,calado,o homem que se encontrava na ponta da mesma ouvia tudo com atenção.Suas feições eram rusticas,e seus longos cabelos e barbas eram brancos,estava trajado com uma grossa cota de malha e um de seus olhos estava tapado.Mantinha o olhar distante,para o fim do salão,sem pousar o seu único olho em qualquer um ali.

...-Isto é um ultraje,a punição deve ser aplicada imediatamente!-Bradou um homem de longos cabelos negros,seus olhos azuis pareciam duas safiras e sua pele era fina como a seda,um observador menos atento poderia confundi-lo mesmo com uma mulher.

...?-Não podemos permitir que uma valquíria tenha esta atitude,e tudo isto é sua culpa Freya! -Bradou um jovem de cabelos loiros,seus peitos eram largos,e seus braços grandes como duas toras. Estava com ambas as mão em cima da mesa e ao lado de sua direita um enorme martelo podia ser visto.

...-Minha culpa?Eu escolho as valquírias pelo o seu nível de devoção aos deuses,somente as mais devotas são escolhidas,esta não é uma situação comum.Este tipo de atitude não é esperado e no lugar de ficarmos nos culpando deveríamos ir atrás desta valquíria e aplicar a sua punição.-A mulher que falava tinha longos cabelos loiros que lhe caiam sobre os ombros,e sua voz transmitia uma sensação de paz apesar de ter um tom severo.

Vestido de uma pesada armadura,um grande homem disse:

...-Mais importante neste momento é sabermos onde ela se encontra neste momento.-Ele trazia uma espécie de chifre de algum animal que estava preso a uma corda que lhe passava pelo o pescoço.

...-Não se preocupe Heindall. -Disse o homem que estava na ponta da mesa finalmente- Munin e Hugin já estão atrás dela...e em breve devem estar voltando.Não me interessa quão ultrajante isto seja,ou quão incomodo.Desta vez eu próprio irei resolver isto de uma vez por todas.

...O que você quer dizer com isto,Odin você irá descer até a Midgard apenas por uma valquíria?-Indagou o homem de cabelos negros.

...-Esta não é a primeira vez que isto ocorre?!Temos que mostrar nossa autoridade e o que acontece com quem nos desobedece.Esta valquíria não irá ficar impune Balder e será exemplo para todas as outras.-Rosnou Odin,enquanto batia com um punho na mesa.

...-Acho que não precisamos ser tão trágicos assim.?

Vários murmúrios tomaram conta do local.Odin apenas observava a todos com seu único olho e depois se voltou para quem havia dito aquilo.Um leve brisa pareceu percorrer o local,e então todos votaram a atenção para o homem que adentrava o local.Seus cabelos eram curtos e negros,e uma rala barba podia ser vista em seu rosto,trajava um simples colete cinza e usava calças justas.Seus olhos negros demonstravam sagacidade e inteligência,sua voz era grossa,mas entrava macia e agradável nos ouvidos.

...-O que você quer dizer com isto Loki?-Falou Odin,sua voz batia pesada como um martelo contra um escudo.

...Loki caminhava tranquilamente pelo o salão,seus passos eram leves e calmos sem qualquer preocupação.O deus se aproximou de Odin sem se preocupar, antes de respondê-lo.

...-Nada de mais,apenas digo que não precisamos fazer uma chacina,ou obter o respeito que desejamos pelo o medo.A morte dela não vai fazer as outras nos respeitaremapenas vai causar um alvoroço que não desejamos.

...-E o que você propõe que façamos então?Que deixemos ela solta?-A voz de Odin ecoou pelo o salão.

...-Não,não.Apenas traga até Asgard de volta,não a mate.Pelo menos não ainda,temos que saber o que faz uma valquíria querer abandonar tudo.E aplicando a punição correta iremos moldar a espécie de respeito a qual desejamos.O que você me diz:Oh! grande senhor de Asgard

...Loki se curvou então fazendo uma exagerada reverencia e levantando a cabeça logo em seguida com um sorriso bobo no rosto.Odin ignorou a reverencia que o moreno o fez e pensou por um momentoNeste momento dois corvos adentraram por uma das janelas e pousaram em seus ombros.Inclinando a cabeça ambos pareciam falar nos ouvidos do deus.Todos os presentes no momento já sabiam que a valquíria traidora já fora localizada e que Odin pessoalmente iria buscá-la.De certa maneira Loki tinha a razão,talvez trazê-la antes para Asgard e então puni-la na frente de todas as outras valquírias não fosse má ideia.

...-Irei considerar sua ideia.Apesar de não concordar com ela.-Disse Odin finalmente,novamente os deuses começaram a murmurar.

...O Senhor de Asgard se levantou e caminhou até seu trono,onde pegou uma grande lança.A passos largos saiu do grande salão enquanto todos os outros deuses olhavam para ele.

...Loki apenas sorria.


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...A mulher comia tranquilamente.A sua frente uma mesa farta,com várias frutas,queijos e pães estava preparada.O cômodo era confortável com uma lareira que crepitava em um canto da sala,na porta um loiro agradecia a um rapaz que havia trago os mantimentos.Os cachos loiros da moça caiam-lhe sobre os ombros,estava trajada apenas com uma camisola branca,e seus finos olhos verdes observavam as armas expostas nas paredes.

...O homem então se despediu do rapaz,e fechou a porta devagar.Logo em seguida seguiu a paços curtos,se sentando ao lado da mulher pegou uma pera e deu uma enorme mordida.Sorriu para ela e fitou seus olhos por um momento.Era estranho como alguém como ela estava junto dele,seu rosto redondo e olhos bondosos despertavam o que havia de melhor nele e ele sabia disto.Nenhum pensamento cruel,ou maligno passava por sua cabeça e todos os o seus problemas pareciam não existir,.”Como algo assim era possível?!” perguntava para si próprio.

...Ela também olhava para ele.E como era estranho o que ela fazia naquele momento,estava quebrando todas as regras estava pondo tudo em perigo.Ela própria e ele,mas mesmo assim não conseguia ficar longe do homem a sua frente nem um minutoEra como fogo que queimava em seu peito e a arrebatasse.Sorriu ao olhar para ele,um sorriso tímido,meio imperceptível,mas foi o suficiente para ele se aproximar e beijá-la nos lábios.

...A língua de ambos se encontravam,e os lábios eram como duas nascentes de um único rio.Ambos estavam com os olhos cerrados e a cada segundo os corações de ambos batiam com mais força.Se separaram com um certo esforço e trocaram mais um olharA mulher olhou para um canto da sala e em seguida falou:

...-Você sabe que o que estamos fazendo é errado?Não sabe?

O homem suspirou fundo fechou os olhos e em seguida a encarou.

...-Sim.Eu sei.

...-Então porque você continua comigo?Você sabe que se houver uma punição ela não vai afetar apenas a mim,mas a você também.Então por que continua?

...-Não é simples de dizer isto,principalmente porque nunca fui bom com palavras.-Sorriu-O que eu sinto perto de você é o que muitos procuram durante uma vida inteira,ter você perto de mim é maior que qualquer medo e o único medo de verdade que tenho em minha vida é ficar longe do você.O que na verdade é errado?Viver e sentir como nunca se viveu,ou viver como um morto que tem a vida correndo por entre os dedos.

...A mulher então olhou para um canto da sala e voltou a olhar para o homem a sua frente.Se mexeu um pouco na cadeira e sentiu algo que incomodava nas suas costas,tranquilamente retirou o robe que usava.Um grande par de asas com penas brancas podia ser vistas.?Algumas penas caíram enquanto a mulher se mexia.Samuel olhou para ela e sorriu.

...-Sabe...eu nunca perguntei sua história,Cecilia.Como você se tornou uma valquíria

...A mulher olhou ele de canto de olho e pareceu não ter gostado muito da pergunta.Suspirou.Samuel continuava observando-a com a mesma feição com um tranquilo sorriso no rosto apesar da atitude da mesma.Ela se virou para ele finalmente com uma feição séria.

...-Por que você deseja saber isto?-Perguntou Cecilia.

...?-Eu te contei a minha história.Agora quero saber a sua.– Sorriu o homem enquanto pousava suas mãos sobre as da amada.

...A mulher suspirou mais uma vez,? ?deixando o ar sair lentamente de seus pulmões.? ?Sorriu.? ?E ficou brincando com os dedos do homem,? ?correu com uma das unhas sobre a palma de uma das mãos.? ?Depois olhou para ele que pacientemente esperava olhando para ela.? ?E com sua voz macia começou a narrar.

...-Bem eu nasci em uma terra distante...creio que as pessoas deste reino ainda não a conheçam.Seu nome talvez não seja importante,suas terras são aridas,a vegetação é rasteira e apesar de o sol ser forte o clima é ameno de certa forma muito agradável.Eu cresci sob os conceitos de nosso povo que adorava a Freya acima de tudoDiferente de minhas irmãs que escolheram ser Sacerdotisas no templo da cidade,resolvi me tornar uma Cavaleira e atuar na proteção da cidade.Minha devoção me fez atingir os limites que outras pessoas não conseguiam alcançar, mas infelizmente um dia eu e meu grupo fomos pegos em uma emboscada em uma caverna e acabamos morrendo em combate.Quando abri meus olhos estava em Asgard e lá descobri que estava sob as graças de minha senhora,e minha devoção foi recompensada com o posto de Valquíria uma guerreira que levaria os mais valentes a Asgard.E foi então que você apareceu.

...-E você se arrepende de ter jogado tudo isto fora para ficar comigo? – Disse Samuel projetando seu corpo para frente. Seus olhos estavam cheios de malícia enquanto encarava Cecília.

...-Com sinceridade? Nem um pouco.- Com uma mão na nuca da mulher o homem a trouxe para mais perto.

...Seus lábios se encontraram. Ambos degustavam daquele beijo como se fosse o ultimo, como se nunca mais fossem se encontrar, e quando se separaram sentiram a dor de uma despedida. Mal sabiam eles que talvez este sentimento não passava apenas de um mal estar momentâneo.

...-Bem eu vou pegar um suco de maçã para nós. - Disse Samuel se levantando vagarosamente, algo apertava seu coração.

...Sentiu Cecilia apertar sua mão. Olhou para ela que mordia o labio inferior e tinha os olhos marejados. Ela se levantou enquanto Samuel a envolvia em seus braços massageando sua nuca tranquilamente. Aquele abraço durou apenas alguns segundos, mas para ambos durou anos. Samuel por alguma razão desejou com todo seu corpo, com toda sua alma, com todo seu furor, que as Nornas congelassem aquele momento e que ele nunca passasse. Desejou do fundo de seu ser que tudo fosse consumido com as eras e que eles permanecessem naquele lugar, naquele momento, unico, puro e intocado.

... Três batidas surdas foram ouvidas naquele momento. Tudo pareceu desmoronar como um castelo de areia que é atingido por uma onda mansa. Samuel com dificuldade soltou Cecília.

...-Hã?! Tailesin acabou de ir embora... - Disse Samuel olhando desconfiado para a porta - Ele é o unico que sabe onde estamos...

...O Lorde fez sinal para que a mulher se escondesse e foi até a parede onde pegou uma espada de cor prateada e lamina longa e um escudo redondo. A passos curtos foi se aproximando da porta enquanto as batidas surdas continuavam como um presagio. Quando estava a cinco passos da porta a mesma foi arremessada na direção do loiro por um forte impacto. Pego de surpresa foi derrubado pela a porta que teve as dobradissas estraçalhadas.

... Com fortes passos um homem com longas barbas brancas adentrou. Estava vestido com uma fina cota de malha, uma longa capa recaia sobre seus ombros e em sua cabeça elmo adornado com duas asas de negras. Um do seus olhos era tapado e o seu unico olho tinha um olhar duro. Ao olhar para o homem Cecilia pareceu perder os movimentos do corpo. Samuel com dificuldade se levantou retirando a porta de cima de si, sangue descia por sua testa dando uma coloração vermelha aos seu cabelo que grudava em sua pele.

...Samuel se levantou com ferocidade avançando contra o homem que bloqueou seu ataque com a lança que trazia na mão direita, revidando em seguida com um forte golpe no estomago do loiro usando o cabo da arma. O Lorde se encolheu recebendo uma joelhada no rosto logo em seguida caindo de costas no chão enquanto encarava o homem.

...-Onde esta a Valquiria mortal? - Bradou o homem. Sua voz pareceu ecoar na alma de Cecilia que se recolhia cada vez mais no canto onde havia se escondido.

...-Vá embora! Não vou deixar que você a leve! - Samuel se erguia com dificuldade encarando o homem enquanto erguia a espada na direção do mesmo.

...-Tolo! Você acha que é capaz de enfrentar a mim. Odin. O Senhor de Asgard?

...As primeiras gotas de chuva começavam a cair fora da casa. Enquanto os ventos frios do norte começavam a ser soprados. Uma gota de suor pareceu percorrer o rosto do loiro, enquanto o deus o encarava.

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Capitulo 1 Empty Capitulo 3

Mensagem  Roen em Sab Dez 28, 2013 4:40 pm

...Um ultimo suspiro. Como os passos de um exercito silencioso, o vento soprava movendo a relva. O mundo estava totalmente cinza, o céu era apenas um borrão e dele nada mais brotava que algumas leves gotas de chuva. Um leve crepitar de uma fogueira que já não mais ardia podia ser ouvido, enquanto cinzas ascendiam ao infinito, rodopiando no ar em espiral, até não serem mais vistas.

...Cada gota de chuva fazia um som diferente ao tocar a cota de malha do homem, enquanto na lama ficavam as pegadas do mesmo. O som de cascos podia ser ouvido, a distancia, e um alto relinchar se seguiu.

...Os soluços abafados de uma mulher não eram mais que um som tênue no ar. O homem continuou sua caminhada até o cavalo, seus longos cabelos brancos estavam manchados de sangue, seu braço sangrava, e quanto tempo havia desde a ultima vez que fora ferido? A mulher não se debatia em seu ombro, carregada como um saco de batatas, seus cabelos loiros se grudavam em seu rosto, enquanto suas lágrimas se grudavam ao seu rosto. Na outra trazia sua lança, a arma mantinha um leve brilho como se fogo a envolvesse, seu cabo negro e cravejado de runas parecia exalar sua energia.

...Prendeu a arma no flanco do cavalo que possuía seis patas, e amarrou a mulher na garupa, montando logo em seguida. Olhou para os céus, como se esperasse algo, em um momento seguinte, as nuvens pareceram tomar todas as cores do espectro e em espiral as nuvens desceram a terra envolvendo o homem. No momento seguinte o mesmo já não se encontrava lá.

...O silencio então dominou o local, um silencio vazio, completamente sem emoção ou existência. Muitos talvez o chamassem de absoluto, como se o universo tivesse parado por alguns segundos, e o mundo não girasse mais. Mas isto durou pouco tempo por que, então algumas folhas caíram de uma arvore, um gato da montanha saltou atrás de um coelho, enquanto pedras deslizavam de um morro, e uma mão pareceu se mover debaixo dos escombros da casa que ali antes havia.

...Novamente, passos podiam ser ouvidos, e logo em seguida os escombros começaram a ser remexidos. Várias toras eram retiradas, enquanto pedras e tijolos eram jogados para longe, até o momento em que um homem apareceu por debaixo de todo aquele entulho. Seu peito estava totalmente nu, cheio de cortes enquanto seu sangue jorrava dos ferimentos. Seus cabelos loiros estavam sujos e no lugar de seu olho direito havia apenas um grande buraco por onde jorrava sangue e os restos do que um dia foi sua visão. E incrivelmente o mesmo parecia respirar...

...Mãos o retiraram do meio dos escombros, mãos o levaram até uma carroça de madeira bruta que era puxada por dois bois, e mãos cuidaram de seus ferimentos quando estava em local seguro.

...Era um dia cinza, em uma montanha cinza, com cinzas que ascendiam até o céu...




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[size=150]A mão Esquerda de Hela[/size]
Capitulo III – Espantalho

“Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre.” Charles Chaplin

Musica do Capitulo:
Forsaken – Within Temptation[/b]
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Escrito por: Bruno Cesar "Roen" A.F.F. Mendes

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...Muitas coisas podem mecher com um homem, muitas mesmo, mas apenas três coisas podem mudar a sua essencia por completo, são elas: O vicio, que destroi suas capacidades de pensar por si próprio fazendo-o viver apenas para saciar esta sua necessidade. A guerra, que faz o homem ver as coisas mais terriveis já imaginadas e fazer coisas que até então não sabia que era capaz apenas para sobreviver. E o amor de uma mulher, que faz com que o mesmo cometa loucuras maiores que os dois anteriores e até com mais fevor.

...E este ultimo provavelmente era o que movia aquele homem, naquele momento, naquele dia, contra aquele oponente. O barulho de metal ressoou mais uma vez, um avanço, uma estocada, um bloqueio, o contra-ataque, outro bloqueio, uma finta o golpe vertical novamente bloqueado, seguido de um forte impacto no queixo.

...O homem com longos cabelos brancos que lhe caiam pela a fronte observava o loiro, que sangrava de um ferimento na testa, a sua frente. Seus cabelos dourados se colavam ao vermelho de seu sangue, seus olhos verdes o encarava e isto estava dando nos nervos. Ergueu a lança e avançou com uma estocada contra o homem, ele se moveu para a esquerda e por um momento pareceu esquivar do golpe, mas a lança retiniu contra o escudo empurrando-o para trás com um forte impacto. O homem rangeu os dentes, mas não tirou os olhos de seu oponente, se indagando de como o golpe o havia acertado.

...Arfava. Um gosto azedo tomava conta de sua boca. Estava praticamente nu, vestido apenas até a cintura, comparado a seu oponente que estava revestido com cota de malha, grevas e elmo, suas chances talvez fossem poucas. Olhou para o lado como se procurasse algo, e aproveitando deste descuido o seu oponente o atacou, entretanto ele já estava preparado e bloqueou com o escudo e estocou por baixo do mesmo, o golpe passou raspando na cota de malha de seu inimigo que girou a lança acertando seu queixo fazendo-o recuar por um momento.

...Em algum canto da sala a mulher, com sua respiração pesada, se recolhia. Seus grandes olhos verdes só viam o terror, o local estava completamente revirado. A comida estava espalhada pelo o chão, cadeiras se partiam com os golpes que o loiro por vezes errava. A mesa já estava em um canto tombada.

...O retinir do aço era constante. Aço com aço se chocava em uma constante chuva de metal que respingava de ambos os lados. Aos poucos, o loiro foi perdendo espaço, enquanto o homem o empurrava contra a parede. Com uma rápida estocada da lança o homem de cabelos brancos atacou, novamente o loiro ergueu o escudo bloqueando o ataque. Sentiu o braço formigar tamanha a força do golpe. Percebeu outro ataque que vinha em direção a sua cabeça e o aparou com a espada, avançando com um forte golpe do escudo contra o peito do oponente.

...-Impacto de Tyr!! – Bradou o loiro. Atacando com um golpe direto contra o peito do homem de cabelos grisalhos que recuou alguns passos. Sua lamina brilhou em amarelo enquanto ele avançava novamente com a mesma técnica que desta vez foi repelida com um floreio do oponente. Prevendo o movimento do mesmo, estocou contra a perna, entretanto o golpe não chegou a se quer resvalar na proteção das coxas do inimigo. Revidando o homem atacou com um golpe lateral da lança que acertou o lado da cabeça do loiro.

...Estrelas rodopiaram por sua cabeça, e sentiu o sangue descer por seus olhos, da mesma forma que o medo avançava como garras de uma besta em seu coração. Em seguida recebeu uma violenta estocada na altura do ombro. E sentiu o desespero e hesitação tomar conta de todo seu corpo. O berro de dor, que se seguiu tomou conta de todo o local, desesperado, monocórdio e sem vida . Sem dificuldades o homem recuou com a arma e estocou novamente, mas o golpe que visava um ataque no coração foi aparado por algum milagre pelo o homem.

...Arfava. O suor e o sangue se misturavam em seu rosto colando seus fios loiros tornando um negrume toda sua face. Sua fúria inflamava por dentro, era chama viva, era isto que ele era. Fogo. Simples, puro e intenso. Deixou que a sensação tomasse conta de todo seu corpo, o medo que sentia sumiu, junto da dor e do desespero da derrota. Se prendeu com todas suas forças neste sentimento, agarrou com todo o seu ser e com todo o furor de sua alma. As imagens, as memórias, os sentimentos, e sentidos dos últimos meses pareceram correr por sua mente por um momento. Seu sorriso, seus olhos verdes cheios de vida, seus cabelos soltos ao vento junto de seu perfume que lhe enchia os pulmões tudo isto pareceu se misturar e tornar mais forte a fúria em seu peito.

...- SEU CAOLHO DE MERDA, FILHO DE UMA VADIA LEPROSSA!! VOU TE LEVAR PARA AS PROFUNDESAS DE NIFLHEIN! – Berrou em meio ao turbilhão de sentimentos, sua pele acabara por tomar um tom avermelhado. Deixou o escudo pender de seu braço e cair no chão com um baque surdo, enquanto segurava a espada com ambas as mãos a mesma cintilava com uma aura amarela por conta da Lamina Aura.

...A determinação e vontade que existia em todo o seu ser se juntaram à ira que se agitava em seu corpo, a determinação e vontade existentes apenas em um DugeonCrawler. A ira de um dragão verdadeiro. Neste momento não existia um homem, existia apenas uma besta feita de pura fúria e ódio. O dragão havia sido desperto e estava em frenesi como a chama das estrelas, como o calor do sol em uma tarde de verão, como açoite de um carrasco.

...Avançou. Atacando golpe a golpe, fazendo seu inimigo recuar sem espaço para contra-ataque ou brecha. Cada ataque era aparado habilmente, mas era poderoso como um aríete que avança contra o portão de uma muralha. A espada acertou os elos da cota de malha que se partiram na altura do ombro, mas isto não pareceu abalar o homem de cabelos grisalhos que apenas grunhiu ao receber o golpe.

...Outro ataque, uma estocada, um golpe lateral seguido de um golpe vertical. Todos repelidos pelo o homem que recuava com dificuldade. A cada golpe era um passo recuado, os golpes eram aplicados a uma velocidade que não era possível acompanhar.

...Até que então o homem de cabelos grisalhos pareceu escorregar em algo, seu corpo pendeu para o lado e ele começou a tombar para a direita. Imerso em sua fúria o loiro avançou seus olhos cegos pelo ódio não percebeu a estratégia do inimigo. A lamina foi repelida e a lança fora parada em meio ao movimento do loiro. Com a cabeça sendo jogada a frente não foi difícil a ponta da arma perfurar sua face do maxilar atravessar o globo ocular e sair na testa. A dor queimou através do frenesi e o berro que se sucedeu foi maior que o primeiro. Jogou a cabeça para trás, sem largar a arma levando uma das mãos ao que um dia fora seu olho direito e parte de seu rosto.

...-Quem é o caolho agora! – Provocou o homem enquanto recuava a lança e acertava um chute no peito do loiro que perdeu o equilíbrio e caiu no chão, quebrando uma cadeira com seu peso no caminho.

...O homem avançou imponente, como um rei, não, não, melhor, acima disto, como o deus que era. Antes que o homem se desse ao trabalho de levantar pisou com força em seu pulso fazendo o mesmo largar a espada e a chutando para longe,pisou novamente, e suas grevas pressionaram o peito nu do loiro que ficou sem ar no mesmo momento. Mesmo caído e sem forças ele ainda teve a ousadia de o encarar com olho que ainda estava bom. Isto inflamou o ódio de Odin. Ergueu a lança com ambas as mãos em um movimento, os músculos sobressaltados – Quem irá para Niflhein é você mortal. – No meio do movimento que retiraria a vida de Samuel de uma vez por todas, sentiu ser puxado para trás. Dois braços agarravam com vigor o seu pescoço puxando-o.

-NÃOOO! – O berro veio alto e agudo, como o rugido de um animal acuado.

...Cecília o agarrava, não iria deixar que lhe tirassem o único homem a quem amara na vida e por isto o furor era maior que o medo. Junto da Valquíria, Odin cambaleou e juntos se estatelaram no chão. Mesmo assim não o largou, o deus se debatia tentando a tirar de suas costas e cada vez mais, com cada vez mais de força, ela o segurava. Sentiu o ar se esvair de seu corpo junto de suas forças,quando o deus a acertou uma cotovelada no estomago.

...Se levantando acertou um chute nas costelas da Valquíria e outro em seus seios fazendo ela ficar no chão chorando. Em seguida acertou um golpe em sua nuca desmaiando-a por completo. Olhou para ambos no chão, Samuel ainda tentava alcançar a espada e isto irritou ao deus que se aproximou.

...Com ódio desceu a lança contra o braço do homem, e o barulho do osso se rompendo pode ser ouvido. Cuspiu na face do loiro, e se dirigiu até a lareira que crepitava, pegou um lampião que pendia na parede ao lado e o acendeu jogando no tapete que agora estava manchado pelo o sangue do loiro. As chamas começaram a queimar tímidas, como uma donzela ante o conhecimento do prazer, mas logo se espalharam pelo o ambiente, comendo a tudo como um enxame que voa em busca de alimento. Pegou outro lampião e jogou em outro canto da casa que começou a arder da mesma forma que o primeiro e seguiu repetiu a ação mais duas vezes no andar superior. Foi na direção da mulher e a chutou novamente. Jogou-a por cima do ombro e sem olhar para trás disse:

...-Queime, sinta o calor. Pois este será o ultimo calor que irá sentir pela a eternidade seu bastardo. Seu nome será apagado do mundo, assim como todos aqueles que o seguiram.

...Com passos firmes seguiu carregando a mulher enquanto a casa era devorada pelas chamas, queimava rápido como se alguma força misteriosa e sobrenatural fizesse as chamas sentirem um sabor maior pela a madeira da construção, a mesma não demorou muito a ruir e a mulher conseguiu recobrar os sentidos o suficiente para vê-la ruir. O deus admirou a cena por um momento, como um humano completamente nu conseguira o atingir? Agora não tinha importância estava tudo acabado. Uma pena caiu da asa da Valquíria e pousou levemente no chão.

...A garoa caia leve como se lavasse o mundo...

Roen
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Capitulo 1 Empty Capitulo 4

Mensagem  Roen em Sab Dez 28, 2013 4:42 pm

...O barulho tranqüilo e pausado de água pingando, em conjunto com o sussurrar leve e esmaecido das criaturas que habitam aquele local, formavam uma leve sinfonia perceptível apenas para poucos, talvez com um pouco mais de afinidade com a arte ou então mais tranqüilos de coração. Apesar de chamas quase não serem existentes neste lugar, e as trevas cobrirem a maior parte de sua extensão, o lugar em si não transmitia esta sensação.

...E nem mesmo os temíveis reis monstruosos que habitavam o local, conseguiam dispersar a calma canção que o ambiente emitia. É estranho como um lugar tão ameaçador, com tantos perigos e acessível apenas por um castelo que era palco de combates podiam ser tão melódico e intrigante, ao ponto de transmitir calma ao espírito.

...Era isto que o Menestrel pensava ao caminhar por entre as sombras do local. Suas botas espirravam a água que fazia uma leve camada sobre o chão, deixando leves ondulações na mesma. Trazia nas costas um saco de viagem, segurado pela a mão esquerda, enquanto a direita uma tocha iluminava o seu caminho. Em meio as chamas tremeluzentes, poderia ser visto um brasão em seu peito indicando que o mesmo era membro de algum clã.

...Seus olhos claros captavam com dificuldade as imagens e vultos a sua frente. Entretanto ele já havia estado naquele lugar, e conhecia perfeitamente onde deveria ir para encontrar quem fora encontrar. De alguma forma, nenhum monstro parecia se mostrar presente ou se preparar para um ataque, o que era muito conveniente no momento visto que estava sozinho e seria um estorvo que ele gostaria de evitar.

...Não demorou muito, até conseguir ver o que procurava. O vulto, pouco mais baixo que uma pessoa, podia ser visto a alguns metros a frente. As leves luminosidades de brasas podiam ser vistas junto de um pouco de fumaça.

...Não hesitou e seguiu adiante, com os passos firmes. Em pouco tempo o vulto foi tomando forma, e ele já podia enxergar o ser a sua frente. Suas mãos grossas e calejadas seguravam firmemente um martelo robusto que possuía um brilho prateado. A barba espessa estava suja de fuligem. Sua pele era morena, levemente queimada pela exposição constante ao fogo. Os olhos pequenos e escuros denotavam uma certa ânsia pelo o trabalho como se tivesse esperado para fazer o que seria feito naquele momento.

...-Aye! – Exclamou o anão – Você demorou demais para vir.

...Sem jeito o Menestrel ajeitou seu chapéu e deixou a sacola de viagem cair na frente do anão e com um meneio da cabeça respondeu com a voz quase como um sussurro.

...-O Selo se abriu em uma hora inoportuna por assim dizer. Entretanto os itens necessários já estão reunidos. Fico supresso de nenhum outro líder tenha chegado aqui antes de mim neste espaço de tempo.

...O anão soltou um grunhido e pegou a sacola de viagem. Olhou tudo que havia dentro, e depois de um tempo examinando as coisas que haviam lá dentro, e sorriu.

...-Então vai ser uma Sleipenir... bom... bom... faz tempo que não faço uma dessas. Os últimos quatro só se importaram em me pedir uma réplica do Mjolnir, como se apenas o portar eles se tornariam o poderoso Thor.

...O Menestrel fez um meneio com a cabeça, como se confirmasse o que o anão acabara de dizer.

...-Você terá que esperar um tempo, talvez um dia ou dois. Estas coisas não são fáceis de serem feitas.

...-Não tem importância. Já vim preparado para esperar – Tirou do saco de viagem uma harpa e alguns mantimentos e os colocou de lado. – E claro, se você desejar, agraciar seus ouvidos com um pouco de musica.

...O anão grunhiu e fez um gesto que o Menestrel não pode identificar.

-Não tenho gosto pelas composições feitas pelos humanos, me agrada apenas ouvir o tilintar do martelo em seu trabalho e a musica apenas me tiraria a concentração necessária. Entretanto caso queira partilhar de seu alimento, ou uma boa conversa durante uma pausa ou outra, isto não me incomodaria.

...Sorrindo, o Menestrel fez outro aceno com a cabeça enquanto guardava tranquilamente a harpa.

...Durante dois dias, o anão martelou, torceu, teceu, criou acabamentos e costurou, resfriou e criou enfeites. Durante dois dias o Menestrel, contou suas historias de guerra, como havia liderado seus companheiros pelos salões dos castelos atrás dos itens, de como fundou seu clã, apesar de não haverem muitos lideres de clãs de guerra que fossem artistas, contou com detalhes cada vitória que haviam tido e com amargura cada derrota até que aquele momento chegasse. E ao final destes dois dias o tesouro que estava procurando estava diante de seus olhos.

...-Obrigado. – Disse o Menestrel sem poder conter a gratidão na voz – Elas são perfeitas. Como posso agradecer este seu digno trabalho?

...-Não é necessário pagamento pelo o meu dever, pelo menos não quando quem vem até mim trás historias de guerra e uma distração para o meu estomago. Pegue – Disse o anão estendendo o par de botas de um tom azulado – Você as mereceu.

...Sem dizer qualquer coisa, o homem as pegou. Podia sentir o poder que elas tinham e sabia o valor delas. Depois de muito tempo as procurando e dos anos, estas duas coisas eram menores que a sua satisfação de ter alcançado seu objetivo.

...-Obrigado. – Disse mais uma vez antes de se despedir e partir. Fazendo um leve aceno antes de ir definitivamente.

...O anão fez um gesto displicente e logo se embrenhou nas trevas, como se fizesse parte delas, voltando não se sabe para aonde, não se sabe para fazer o que.

...Sem esconder seu sorriso, o homem seguiu o caminho de volta, sem se preocupar com qualquer perigo que houvesse no caminho. Poderia ter permanecido assim, se não tivesse uma lamina sair de seu peito, reluzindo a luz da tocha que carregava enquanto gotas de seu próprio sangue caiam e se misturavam com a água que cobriam o chão.

...Não teve tempo de sequer dar um grito, o golpe acabara de trespassar seu coração e seu corpo acabava de cair inerte no chão, espirrando água para todos os lados.


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[size=150]A Mão Esquerda de Hela[/size]
Capitulo IV – Pesadelos
“Para quê preocuparmo-nos com a morte? A vida tem tantos problemas que temos de resolver primeiro.” Confucio
Musica do capitulo – Lost - Within Temptation

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...Escuridão. Calor. Frio Intenso. Dor. Talvez solidão entre nesta lista, mas sua mente estava longe de mais e a razão se tornara instinto. O mundo era apenas uma série de vultos em meio a neblina. Sentia-se nauseado, e uma dor lancinante cobria o seu rosto. Quando abria a boca, sua voz parecia sumir, ou melhor, não era capaz de articular qualquer frase. Se em algum momento estivera acordado, não sabia, o mundo parecia rodar ao seu redor, assim como as coisas que vinham acontecendo. As presas o levantavam no ar, jogando-o longe, longe, longe...

...Sentiu muito calor e algo subir por sua garganta por alguns momentos. Seu rosto queimava, era fogo vivo, como se metal em brasa fosse colocado sobre a pele, e a mesma emitisse um chiado em resposta. Por um momento de lucidez abriu os olhos, e apenas metade de sua visão lhe apareceu tentou ver onde estava, mas logo foi tragado novamente aos pesadelos constantes que assombravam a sua mente. Os dentes lhe rasgavam a carne, e lhe quebravam os ossos, sugavam o tutano de seus ossos e seus órgãos não eram mais nada que uma massa disforme...

...Pensou ter ouvido vozes por um momento, ou seria apenas uma voz que ecoava? Sentiu algo quente sair de sua boca, e se esparramar por seu corpo. Mover qualquer parte de seu corpo era doloroso.

...Novamente tentou se livrar das garras dos pesadelos que o rodeavam. As bestas corriam ferozmente. Sentiu algo fazer pressão contra sua cabeça, e em seguida por força bebeu algo que lhe era colocado aos lábios. O liquido queimou sua garganta, no mesmo momento seu coração estava acelerado e parecia que iria sair de seu peito.

...Perdeu completamente a força do corpo e retornou para o mundo cinzento que o rodeava. As garras lhe arrancavam o coração. Correu... correu... e correu até não ter mais forças, tropeçou e caiu. Sentiu o corpo estremecer e um pesar cair sobre si mesmo. Cantou baixinho como um menino, mas isto não era nada a que se agarrar. Caiu... caiu... e caiu até não sentir o fundo. Não era nada... Nada. Nem se quer um pedaço de poeira, nem se quer um conceito ou uma idéia que passa na mente de um louco.

...Aos poucos sentiu que novamente as coisas voltavam a tomar forma ao seu redor, como um rodamoinho que gira em águas revoltas. As bestas o agarravam com força, entretanto sua vontade de se soltar daquilo tudo era forte. Novamente sentia os pesadelos o rodearem. Fez força para manter a mente no lugar, pareceu lhe faltar a respiração e isto foi uma surpresa. Abriu o olho e virou a cabeça para o lado vendo uma mesinha com alguns frascos, panos, linhas e agulhas em cima. Virando para o outro lado viu a porta, o mundo ainda girava e o sabor de ferro corria-lhe pela a boca.

...Olhou para o teto do local, tentou se levantar, e acabou por descobrir todas as fraturas em seus braços. Recuou. Se contorcendo com a dor das costelas quebradas. Arfando pelo o esforço feito. Com uma falsa tranqüilidade sua mente voltou a se deslizar para o sono caótico de antes.

...Sentiu a febre arder, e a boca seca. Sentiu mãos lhe segurarem enquanto rostos disformes o observavam e se debatia. Ouviu suas vozes, e algo foi colocado contra o seu braço. Tentou gritar novamente, mas mais uma vez a voz lhe faltava. Tudo parecia queimar, mais uma vez, e mais uma vez, e novamente.

...Quando novamente recobrou a consciência, sentiu que o suor lhe cobria e colava as roupas em seu corpo. Olhou ao redor, reconhecendo o mesmo quarto que vira antes. Sua cabeça latejava como se alguém a martelasse. Inspirou uma grande quantidade de ar, e tentou se sentar. No momento em que apoiou o braço, uma dor o percorreu. Trincou os dentes tentando ignorar a dor e se ponto finalmente sentado na cama. Respirou por algum momento, comemorando a pequena vitória.

...Passou a outra mão, pela a cabeça, e notou que a mesma estava completamente enfaixada, deixando apenas o olho esquerdo, e a boca sem faixas. Ergueu o braço e notou as fraturas que haviam sido tratadas, e o emplasto feito na altura do antebraço. Notou que o que cobria o seu peito não eram roupas, mas diversas ataduras. Uma tala parecia manter sua perna completamente reta, em uma posição incomoda. Abriu e fechou o punho sentindo o movimento dos músculos e da pele no antebraço.

...Analisou novamente o quarto, notando várias coisas que não havia prestado atenção antes. A estante a sua frente, algumas cadeiras em um canto, e uma escrivaninha com alguns papeis em cima. Olhou para a mesa ao lado da cama e viu um jarro com água, sentia sede. Pegou ele e em uma única golada começou a beber-lo com ânsia, se engasgando com a mesma logo em seguida.

...Um fiapo de luz se esgueirou, por uma fresta de porta que se abria. A menina que entrava ao o observar o homem sentado soltou um gritinho de susto e saiu correndo por onde acabara de entrar sem se incomodar em fechar a porta. Com dificuldade, começou a retirar as faixas que lhe cobriam o rosto, sentiu o incomodo de fazer este simples movimento mas foi até o fim.

...Passou a mão sobre a pele, e sentiu que sua barba havia crescido neste meio tempo em que estivera desacordado. Quanto tempo estivera desacordado? Pensou. Passou a mão então pelo o rosto e sentiu que do lado direito a partir da mandíbula até a bochecha a barba não crescia. No seu lugar havia apenas uma pele áspera e cheia de veias. Enquanto seus dedos examinavam seu próprio rosto, sentiu o movimento que vinha da porta, de esguelha olhou para quem adentrava.

...Um homem de cabelos grisalhos o observava da porta. Sua barba branca cobria seu rosto, e seus olhos eram de uma coloração cinzenta. Vestia um colete verde musgo sobre uma camisa de um branco impecável, e uma calça caqui completava o conjunto. Apesar desta descrição ele não aparentava ser idoso, possuía os ombros e peitos largos e os braços fortes.Não demonstrou, mas em seus olhos um sorriso parecia dançar. A passos curtos, sem dizer uma só palavra, se aproximou do loiro que o observava, quieto da mesma forma, até parar ao lado da cama. Olhou para as ataduras jogadas em cima da cama, e para o rosto do homem.

...-É bom ver que o tratamento esta surtindo efeito. Não esperávamos que acordasse tão cedo. – Disse. Sua voz era tranqüilizadora, e de certa forma envolvente. Entretanto era vazia de afeto. – Conseguimos recolocar seu braço no lugar e tratar de todas as queimaduras de sua pele, entretanto ainda é preciso de um tempo para os cortes sararem e os pedaços de seus ossos voltarem a ser um só.

...O loiro abriu a boca e tentou falar, mas as palavras vinham com dificuldade. Sua voz pareceu estranha a si. O homem pegou a jarra ao lado para lhe dar um copo de água, mas notou que a mesma já estava vazia. Inspirou um pouco de ar e então voltou a falar.

...-Aonde. Estou? – Indagou fazendo força para falar, a voz saiu rouca e quase inaudível.

...-Por favor. Evite falar. Você esta em Al de Baram, na minha casa. Nós te achamos debaixo dos escombros de uma casa enquanto pegávamos um atalho pelo o Monte Mjolnir. Você teve sorte de termos o encontrado...

...-Quem. Você? – Cortou o loiro, novamente com a voz rouca e baixa. Desta vez sua voz não pareceu tão estranha quanto antes.

...-Eu sou Jason BlackStell. Nós somos comerciantes que estávamos a caminho de Al de Baram. – Respondeu Jason sem parecer se importar com a falta de cordialidade de seu hospede.

...O loiro balançou a cabeça por um momento, tentando se lembrar de algo que tinha ocorrido. Franziu o cenho enquanto as memórias retornavam, aos poucos foi se lembrando do ocorrido. Levantou a cabeça e novamente encarou o homem a sua frente.

...-Mulher? – Falou com mais entonação na voz.

...-Mulher? Não... nós não achamos nenhuma mulher nos escombros. – Falou o homem sem muita preocupação.

...O mundo do loiro rodou por um momento. Algo parecia forçar seu abdômen, e seus braços começaram a formigar no mesmo momento que um zumbido tomou conta de sua cabeça.

...-Achar. Armas?

...-Não havia mais nada na casa, apenas você. – O homem se aproximou um pouco mas logo em seguida parou ao ver que o paciente estendia a mão.

...-Espelho. Entregue.

...Jason levantou uma sobrancelha ao pedido. Foi até a mesa no fundo da sala e pegou um pequeno espelho de cristal. A curtos passos voltou a cama.

...-Quero que saiba, que fizemos o possível para tentar reconstruir o seu rosto. Infelizmente creio não poder dizer que você voltará a enxergar com um dos olhos novamente. – Disse antes de parar ao lado da cama.

...-Espelho. Agora. – Frisou a ultima palavra.

...O homem engoliu seco, e entregou o espelho ao loiro. Por um momento relativamente longo observou sua imagem refletida no espelho. A pele de todo o seu lado direito estava repuxada e várias veias saltavam, tornando a pele vermelha, e aspera. Onde antes estivera o seu olho direito agora havia apenas uma massa disforme cobrindo completamente o globo ocular. A cicatriz que se formara passava perto do seu nariz e por pouco o golpe não abrira também sua boca.

...Sentiu a raiva se inflamar em seu peito e jogou o espelho no outro lado do quarto. O objeto atingiu a parede e se espatifou em vários pedaços. A menina que o observava da porta soltou um grito assustada, enquanto o homem ao lado da cama apenas o observava totalmente impassível.

...-Devo supor que esta com raiva demasiada? – Disse o homem, quase como um sussurro. Sua voz parecia vir de lugar nenhum.

...O paciente o encarou, seu único olho o encarava com ódio e resignação. Não pareceu se importar com este gesto e prosseguiu.

...-Quem deve ter feito isto contigo deve ter tido um bom motivo. Suponho. Mas me parece, ao primeiro ver que não foi um gesto muito justo. – Começou a caminhar pelo o quarto em direção a porta – Recomendo que descanse agora. Podemos discutir este caso quando você estiver melhor. Não gosto disto. – Apontou para o espelho quebrado – Por isto peço que se acalme e que se mantenha civilizado até estar em condições de se quer articular uma frase por completo.

...Estava próximo a porta, quando o loiro soltou um grunhido. Jason se virou e o encarou por algum momento, sem o homem no leito mostrar qualquer reação saiu do quarto.

...Exausto pelo o esforço que acabara de fazer, Samuel deixou-se relaxar e sentiu o corpo doer e amolecer rapidamente. Mais rápido do que o esperado o sono não tardou a voltar trazendo de volta seus pesadelos.

Roen
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