[Fanfic]Laminas do Destino

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Mensagem  kemaryus em Sab Dez 28, 2013 6:44 am

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[size=200]Laminas do Destino[/size]
Por Jeferson S. de Paula
Arte da capa Edvaldo Bispo

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[size=85]"A Rodrigo, por nunca abandonar a imaginação e as velhas amizades, em um mundo onde nós criamos mais do que historias, mas sentimentos..."[/size]

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O Sol brilhava intensamente naquela tarde em Lighthalzen...

A loira correu a toda velocidade, ofegando, saltando entre pequenos montes, desviando de arvores, roçando a grama e o mato ainda cobertos com neve, correu subindo morros e escorregando rapidamente por ribanceiras, o vento soprava forte ali e seu cabelo deixava um rastro dourado por onde passava, preso apenas por um elástico simples.

Ela já podia ouvir o barulho de trem ao fundo, ofegante não hesitou, continuou a correr o mais rápido que suas pernas podiam, os joelhos ardiam como em brasa e a sua respiração queimava a garganta. Ela rastejou pelo um pequeno barranco, deslizando entre a terra e o pedregulho, já podia ouvir o som do trem mais alto agora, saltou um pequeno monte de galhos secos e arvores mortas.

Então correu subindo uma grande elevação, olhou rapidamente para o lado e viu a fumaça do trem vindo em sua direção, se apressou, colocou as mãos no chão para tentar ganhar mais velocidade no morro completamente íngreme, era uma ação arriscada, mas a única que pode pensar no momento, muito estava em jogo, a partir daquele momento ela estava sozinha e tudo dependia dela, lembrou-se que a falha naquele momento iria mudar o rumo da historia, não somente de seus amigos, mas de todo o mundo.

Então ela chegou ao cume da elevação e olhou para baixo, pode ver os trilhos do trem, e a esquerda o trem se aproximando rápido, então sacou suas duas espadas, semelhantes à katanas mas menor em tamanho e menos curvas, limpou o suor da boca, estava insegura, com medo, mas era tudo ou nada. Assim que o trem passou no trilho abaixo, ela tomou impulso e saltou.

Voou em direção ao solo durante alguns segundos então viu o teto dos vagões se aproximando de seu rosto cada vez mais rápidos e mais próximos, tentou forçar as laminas para fincar naquele tento de metal, mas não saiu como o planejado.

Ela rolou por todo o teto do vagão enquanto as espadas batiam soltando faíscas, o trem estava muito rápido e ela não pode se segurar, rolou até o teto do ultimo vagão, e no ultimo instante conseguiu fincar a espada no teto, como o planejado, embora tardio, seu corpo já estava completamente para fora do vagão, seguro apenas pela mão direita na empunhadura na espada presa ao teto do vagão.

Puxou o braço com grande esforço, ao tempo em que soltou um gemido, conseguiu trazer-se para próximo o vagão, pisou na parte de fora da janela, então a chutou com a ponta de aço de suas botas, a janela se quebrou para dentro, então ela segurou em sua borda puxou a espada do teto e rapidamente adentrou o vagão pela janela.

Não havia pessoas ali, mas imediatamente ela ficou furtiva, segurou as laminas próximas ao corpo e correu em direção a porta, observou o vagão a frente pelo vidro da porta que conectava um vagão ao outro, viu que não tinha ninguém. Abriu a porta e adentrou o lugar, não podia esperar, qualquer minuto perdido poderia ser o fim de toda a esperança.

Estourou a próxima porta com um ponta pé, afundou a espada no homem que estava mais a direita que subitamente caiu morto, o outro homem a esquerda tentou sacar a adaga, mas a loura chutou sua mão, então sua garganta, o salto adentrou seu pescoço sem dificuldade, ele caiu no chão com as mãos no ferimento, finalizando a loura cravou a espada na cabeça do homem e partiu para o próximo vagão.

Assim que abriu a porta recebeu uma flechada em seu ombro, antes de dar oportunidade para um segundo disparo, sacou uma adaga e arremessou, mas o sentinela desviou-se, e quando ia atirar sua segunda flecha, notou que no vagão não havia uma sicária, mas várias em uma ilusão de ótima sombria, confuso hesitou, o que deu tempo para a moça cortar-lhe ao meio com um único golpe.

Ela avançou para o próximo vagão, sem abrir a porta, saltando pelo vidro e quebrando-o, caiu no chão movendo rapidamente suas espadas decepando as pernas dos Renegados que estavam ali, e então ferindo-os no coração, viu um Shura correndo em sua direção, então saltou usando os bancos como impulso e passou por cima dele, ao cair, desviou-se do ataque de um Cavaleiro Rúnico, cuja espada arrancou alguns fios de seus cabelos louros, o segurou pela armadura e o fez dar um giro o posicionando a sua frente, ao mesmo instante em que o Shura voltava com tudo desferindo seu poderoso golpe.

Com o impacto, o Cavaleiro e a Sicária foram arremessados dois vagões para a frente, quebrando portas e bancos por onde passavam, ela gritou ao sentir um pedaço de madeira adentrar sua barriga, levantou-se e tirou a madeira, com cuidado, soltou um grito inevitável o sangue escorria e manchava sua roupa aos poucos, olhou o cavaleiro que estava morto, então viu surgir pela porta, vários outros homens armados com espadas e adagas.

O Trem estava muito rápido e era difícil manter-se equilibrada na luta. Avançou para o primeiro, cortou as mãos do rapaz desarmando-o, então usou-o como escudo contra um segundo homem, que cravou a lamina em seu próprio companheiro, a loura atravessou o homem com sua espada acertando o homem de trás, então socou outro que a tentara furar com uma espada fina, mas que apenas fez um corte profundo, socou-o de novo então desferiu-lhe um golpe com a lamina esquerda e finalizou com a direita, quando ia se virar para o próximo inimigo, foi pega por um golpe no meio de sua face, que a atordoou.

Um homem forte a jogou contra a parede e socou suas mãos, a desarmando, a segurou pelo pescoço e socou várias vezes sua barriga, ela sentiu o gosto de sangue e a falta de ar imediata, mas por ser bem magra e menor do que seu inimigo, usou novamente as botas, desferindo chutes que lhe cortavam todo o corpo, o homem se afastou, ela tentou afasta-lo um pouco mais para pegar sua espada no chão, mas ele a pegou pela perna, então a jogou de lado sobre os bandos, ainda a segurando jogou para o outro lado, segurou-a com as duas mãos e a bateu com força no teto, ela gritou, seu corpo parecia estar sendo triturado com os golpes, o homem preparava para joga-la no chão, quando a loura sacou uma adaga e furou os olhos do brutamontes, ele a soltou, e ela caiu sobre a espada, imediatamente a pegou do chão e a levantou, o homem partiu para cima, a lamina atravessou a garganta do Shura que engasgou-se com seu próprio sangue, caiu de joelhos e depois de costas.

A loura se levantou com dificuldade, sua visão já estava turva, não sabia quantos inimigos ainda tinha no próximo vagão, mas torcia para ser menos.
Abriu a próxima porta, e soltou uma névoa de veneno, que imediatamente cobriu o lugar com uma fumaça arroxeada, pode ver os inimigos tossindo em meio a fumaça, e correndo abrir as janelas, passou correndo dentre eles, cortando quem estivesse impedindo seu caminho, sangue voava e corpos caiam, em um ritmo frenético, abriu a porta do próximo vagão, e então cravou a espada na conexão entre os vagões, que estourou se separando, deixando aqueles vagões para trás. A loura avançou.

Não havia mais tantos inimigos ali, ela queria parar e fazer um torniquete para a perna que sangrava muito, mas não tinha tempo. Mancando ela avançou agora mais lenta, tentou usar a furtividade da forma com que dava, para acabar com os inimigos no caminho, e cada morte ela estava mais próxima do segundo vagão, seu objetivo só poderia estar ali, ela já podia ouvir os gritos da moça, pedindo ajuda desesperadamente.

Ela buscou entre seus pertences qualquer item de cura, mas aquela caçada não foi planejada, saiu com as armas que estava nas mãos para poder alcançar o trem, sem qualquer preparo, se talvez estivesse com os itens certos e armas certas, aquela luta teria um final mais favorável.

Ela estava para abrir a ultima porta, quando uma grande explosão a jogou para trás, seu rosto ardia igual a fogo e suas armaduras caíram ao chão, semi derretidas, um homem bem vestido adentrou o vagão, carregava algumas garrafas e frascos em suas mãos. Imediatamente ele começou a arremessar várias delas, a loura tentava desviar como podia, os frascos causavam explosões, vidros voavam pelas janelas e madeiras dos bancos e do teto, sem saída ela tentava se aproximar mas não conseguia, não havia mais adagas. Tentou arremessar sua espada mas errou o alvo, o vagão estava quase totalmente destruído, e a loura estava com queimaduras por todo corpo, incluindo o rosto, seus olhos lagrimejavam muito pelas químicas ou talvez pela dor, ela estava sem saída, exausta.

Saltou pelo buraco do teto, e pode ver as bombas explodindo logo abaixo, correu pelo teto do vagão ao ar livre, até chegar na outra extremidade, pode sentir o chão derreter sob seus pés, então quando estava no fim do vagão, exatamente por onde o homem havia entrado, saltou e apoio-se pelas mãos, dando um giro no ar e descendo com força. Cravou a ponta das botas, onde havia lâminas, em cheio no peito do Bioquímico.

A loura desceu. Rasgou um pedaço de pano de suas roupas e tentou limpar os olhos, o simples contato com o tecido era agonizante, ela gritava de dor, mas quase não podia enxergar nada, sua face estava completamente inchada.

Então correu para o próximo vagão, e quando abriu viu seu premio. No segundo vagão, o que antecede a caldeira e a carvoaria, estava uma jovem moça, bem mais nova do que a loura, amarrada em um canto com cordas e correntes, sua boca estava tampada e havia muitas escoriações em suas roupas e seus braços e pernas.

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A loura avançou, correndo para libertar a jovem, mas foi jogada com força contra a parede. Um Renegado de cabelos azuis a atacou de surpresa, causando um ferimento muito profundo em suas costas, com um grito ela se virou e desapareceu bem diante da vista dele, que por sua vez também fez o mesmo, passaram-se alguns segundo e laminas se chocaram no ar, revelando ambos de suas habilidades de esconderijo e furtividade. Ela o chutou com força tentando penetra-lo com a bota, mas ele desviou-se da lamina, se jogou sobre a sicária que caiu no chão, então apertou a adaga contra seu pescoço. A loura o empurrou com toda a força que tinha, ele bateu contra alguns bancos e tentou novamente acerta-la, mas ela rolou rapidamente pelo chão, a lamina levantou lascas de onde ela estava a quase um milésimo de segundos atrás.

Ela se levantou, sua visão estava terrível, ela mal podia vê-lo, na verdade, só podia vê-lo quando ele se mexia, ela cruzou as espadas diante do corpo em uma típica ação de defesa, ela tremiam inteira para se manter em pé e tinha certeza de que as lagrimas agora que escorriam de seus olhos eram de medo e dor. O Renegado avançou novamente, ela quebrou alguns ataques dele e evitou ser perfurada no peito, a única coisa que ela realmente conseguia acompanhar era o brilho do sorriso dele, branco e frio como uma lamina, de resto, ela agia por instinto, um instinto cultivado por anos de treinos, de missões bem sucedidas.

Ela estava no limite que uma mulher poderia chegar até mesmo para alguém altamente treinada, a cada investida, mais cortes eram feitos e ela só conseguir desviar-se dos que seriam mortais. Lamentou-se por não ter treinado mais, por não ter vivido mais, lamentou-se pelas mortes de seus pais e de seu esposo. Lamentou-se por não conseguir se tornar mais forte, por não ter avançado mais em seus treinos, por não ter evoluído como deveria.

O Renegado finalmente conseguiu uma brecha, e as armas saltaram das mãos da loura caindo no chão, o Renegado de cabelos azuis abriu ainda mais o sorriso, ela sabia, aquela poderia ser a ultima hora dela, o ultimo momento, era o fim, morreu em uma pífia tentativa de salvar o mundo, então pensou em como a jovem moça acorrentada iria terminar e ao pensar em todas as atrocidades em que ela sofreria.

Uma raiva a tomou por dentro, incontrolavelmente, incandescente e tão intensa quanto o fogo de mil sóis, uma força que nem ela mesma sabia da onde vinha, a moveu de forma extremamente rápida, e mesmo que todos os ossos de seu corpo já havia desistido de lutar, ali ainda havia uma alma disposta a um ultimo sacrifício, segurou-se nas barras de ferro do vagão, então com um grito, bateu com toda sua força, com toda sua ira, com toda sua raiva e desespero com os dois pés no peito do renegado. Ele voou para trás, bateu em alguns bancos então estourou a janela, caindo para fora do vagão.

A loura caiu no chão, seu corpo estava vencido, mas seu espírito não. Ainda tinha que libertar a garota. A sicária rastejou-se no chão de madeira, com cacos de vidros e pedaços dos bancos até próximo a garota.

Então usando a espada cruzou as correntes e torceu, ambas, espada e corrente se partiram. Cortou as cordas com a lamina quebrada e libertou a garota.

- Jurou! - A garota abraçou a sicária loura, feliz e desesperada por ver a mulher em tal situação.

- Cíntia, me escuta! Temos que parar esse trem! - Jurougumo tentou se levantar, e com a ajuda de Cíntia conseguiu-se manter em pé.

Então elas ouviram gritos vindos lá de fora e um grande barulho de motor, ainda mais alto do que o do trem. Cíntia ainda escorando Jurou, olhou pela janela e viu um pequeno Aeroplano voando sobre o trem.

- Meu Aeroplano! Está voando! Eles estão jogando uma corda! - Cíntia se afastou da janela com algum esforço para segurar a Sicária.

- Temo que ir para o teto, rápido, pelo visto eles vão destruir o trem.

Ambas saíram pela porta de entrada do vagão, usaram uma escada lateral para acessar o teto do trem novamente, Jurougumo estava quase cega e não podia ver mais nada a não ser o rosto borrado de Cíntia a poucos centímetros de distância.

Chegando lá em cima eles viram a corda em forma de escada atirada e soprada pelo vento, Cíntia deixou Jurougumo sentada sobre o vagão e equilibrou-se até pegar a escada, com certa dificuldade para segurá-la, pois o vento era muito forte e o trem se mexia muito.

- Jurou, você vai primeiro, está muito ferida! - Cíntia tentou entregar a escada para a sicária.

- Não! Você tem que ir, você precisa destruir aquela coisa, tudo depende de você, estarei logo atrás de você! - Jurougumo tentou se levantar para também pegar a corda.

- JUROU! - O grito de Cíntia ecoou pela mente da sicária. Como se o tempo estivesse mostrando sua ultima faceta, aquele momento ocorreu de forma extremamente lenta, uma mão puxou a sicária pelos ombros, a virando completamente, em seguida uma lâmina atravessou seu peito, completamente, até chegar ao outro lado, espirando sangue no rosto de Cíntia. Jurougumo pode sentir o aço frio da empunhadura chegar até seus seios e a falta de ar imediata, assim como o sangue quente que escorria e até as batidas em seu coração, descompassadas e cada vez mais fracas, ela olhou e viu com o pouco de visão que ainda tinha, o sorriso frio e debochado do renegado.

- Foge... - Jurougumo em seu ultimo fôlego preocupou-se com Cíntia, caiu sobre o vagão, olhando para o céu, com poucas nuvens, um céu azul e límpido, assim como costumava ser em sua casa, em Moskovia, sentiu o cabelo soltar-se e esvoaçar com o vento, sentiu o cheiro das árvores e do mato, até mesmo o cheiro da comida de sua mãe, do perfume de seu pai e da pele de seu marido, Maxsuel. Sentiu o toque do cabelo de sua filha adotada, e o calor do sol de verão. Não sentiu mais dor, sentiu-se indo, como um pequeno barco, deslizando para o oceano, um oceano de águas azuis como aquele céu, onde o destino não é definido pelo fio de uma espada ou a velocidade de uma katar, onde não é preciso treinar, onde todas as memórias estão guardadas. Onde somente os mais bravos podem ir, os heróis, os aventureiros mais destemidos, onde somente a lendas são lembradas eternamente.

Cíntia entrou em desespero, por um segundo tentou ir salvar Jurougumo, mas a viu pouco a pouco desfalecer e o Renegando partir para cima dela, com uma dor imensurável em seu peito, ela pisou na escada de cortas e começou a subir, o aeroplano também elevou-se, fazendo a jovem mecânica sair do alcance do Renegado. Cíntia chorava como nunca chorou em sua vida, ao ver o corpo de Jurougumo sobre o trem e o renegado irritado pela fuga, ainda tentou acertar Cíntia com a lamina mas sem sucesso.

Quando Cíntia chegou a bordo, nada foi capaz de acalma-la, e ela chorou em desespero durante horas, aos soluços, seu pequeno coração parecia estar completamente triturado, não somente isso, todos a bordo pareciam estar destruídos emocionalmente, com aquela perda. Naquele dia, não houve comemoração pela missão, na verdade nunca mais haveria comemoração a partir dali, pois dali para frente, somente dor estaria esperando aquele grupo e todos a sua volta.

O Dirigível voou com o por do sol, enquanto aves acompanhavam-no como escoltas silenciosas e fúnebres, levando a alma de uma heroína aos palácios dourados além desta vida.


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